31 de julho de 2007

Um anjo de mulher

Texto: Gabriela Haubrich


Zuleika Angel Jones pode não ser muito conhecida, mas
Zuzu Angel você sabe muito bem quem é. Admirada por lutar contra a ditadura em busca do corpo do filho, preso pelo regime militar, a estilista tem muita importância no cenário nacional. Ela foi a primeira a dar expressão mundial à moda brasileira. E se hoje todos falam de moda ecológica, ela poderia se gabar de ter começado isso já naquela época.

Nascida em 05 de junho de 1921, na cidadezinha de Curvelo, Minhas Gerais, ela foi para Belo Horizonte ainda menina. Depois mudou-se para a Bahia, de onde tirou grande influência da cultura e das cores para a criação de suas coleções. E em 1947 finalmente chegou ao Rio de Janeiro, mas foi na década de 50 que começou a trabalhar como estilista, primeiro fazendo roupas para amigas e primas, depois profissionalmente. Em uma época onde a criação de moda era exclusividade masculina, e as mulheres só eram aceitas atrás de uma máquina de costuras, só o fato de ter começado já faz de Zuzu Angel uma revolucionária.



Apesar do diferencial a estilista, foi apenas em 1970 que ela abriu a primeira loja em Ipanema. Na mesma época começou a fazer desfiles em Nova York, conseguindo bastante sucesso. E ela foi pioneira em levar a moda e a linguagem nacional para fora, apesar do conceito negativo que o mercado norte-americano tinha aqui, frente ao grande domínio europeu. Assim, conseguiu vitrines de grandes lojas de departamentos, ganhou editoriais importantes nos Estados Unidos, e tinha como clientes atrizes hollywoodianas como Kim Novak e Liza Minelli. Mas a curiosidade sobre as coleções de Zuzu era normal, e existia tanto no exterior quanto aqui no Brasil. Isso porque a estilista gostava de trabalhar com materiais que eram considerados ordinários, comuns.



Panos de colchão, pedras nacionais, fragmentos de bambu e conchas, eram misturados a tecidos nobres e a estampas de pássaros e borboletas, que eram transformados em saias, chalés e vestidos maravilhosos. O mérito da estilista vem da originalidade da proposta de trabalho, por fazer uma moda brasileira como materiais nacionais, em uma linguagem própria. Além disso, Zuzu queria produzir tanto para as classes mais abastadas, como para as mulheres que estavam nos pontos de ônibus, como dizia. Graças a essa iniciativa a estilista também é reconhecida por ser a primeira a ampliar a visão de mercado na confecção em grande escala. E também a identificar a grife das roupas externamente nas estampas.



Mas apesar do sucesso o mundo da estilista desmoronou, no dia 14 de maio de 1971 com a prisão do filho Stuart Angel, que era ativista político contra o governo militar. Até então Zuzu, como muitos outros brasileiros, não se importava com o que acontecia na ditadura, mas depois desse episódio ela passou a lutar para saber onde o filho estava. Contudo, os militares se negavam a dar qualquer informação. Assim, ela começou uma verdadeira guerra contra o governo, envolvendo até o congresso dos Estados Unidos, país do ex-marido e pai dos seus filhos.

Entretanto, a estilista não conseguiu nenhuma informação oficial. A única história que chegou até ela foi através de uma carta escrita por Alex Polari de Alvarenga, que também ficou detido na Base Aérea do Galião, onde ele conta que pôde ver da cela o momento em que Stuart, foi amarrado a um jipe e arrastado pelo pátio externo. Depois também ouviu os gritos do rapaz, e pouco depois seu corpo foi retirado do local.



Apesar dessa informação Zuzu não parou. Nessa época a estilista começou a freqüentar julgamentos e reuniões usando roupa preta, véu, um cinto cheio de crucifixos e um anjo pendurado no pescoço. As suas coleções também passaram a denunciar a morte de Stuart, e tinham silhuetas e estampas bélicas como pássaros engaiolados, tanques de guerra, balas de canhão disparadas contra anjos e meninos aprisionados. Já temendo pela vida, deixou com o amigo Chico Buarque um documento para ser publicado se ela morresse. A estilista denunciou até o fim que se aparecesse morta, por acidente ou não, teria sido obra dos assassinos do seu filho amado.



Zuzu Angel morreu no dia 14 de abril de 1976, aos 54 anos, na saía do túnel Dois Irmãos - que agora possui o nome dela - no Rio de Janeiro. Até hoje, as circunstâncias do acidente automobilístico que causou a morte dela não ficaram claras e, apesar das testemunhas, nunca se confirmou um atentado. A postura diante da vida, sua força e garra, inspiraram Chico Buarque a compor a canção Angélica, onde ele pergunta, “quem é essa mulher?”.


Enjoy it

Gabi

P.S: Se a pessoa que se passou pela Suelen no outro post achava que me ofenderia e que, por isso, retiraria os comentários ela está redoooooondamente enganada. A carapuça não serviu, querida! Tente fazer melhor da próxima vez.

7 comentários:

Gisele Muller disse...

Gabi, adorei o seu recado. Pode ter certeza que estou aqui torcendo por você e pela Suelen. Mas não desanima não. Nada na vida acontece por acaso, pode ter certeza que coisas melhores virão. Levanta a cabeça e toca pra frente. Volta lá pra me contar as novidades tá. Boa sorte e sucesso!

Susylândia disse...

Oi fofolete! Já estou em casa, quando for entrar na net me manda msg.
Ps: Sem comentários para esse babaca que se passou por mim... alias, pode chamá-lo de queridinha mesmo.
Bjsss

Sú nº1 disse...

Bom, de gorda iludida eu não tenho nada!! Fala para sua amiga SÚ Nº2 que milagres estéticos não acontecem, fala pra ela desistir e aceitar que é um canhão de muitas toneladas!!! Beijos pra vc que tb é bem "desinxavida"!!

Susylândia disse...

Hum... Aos poucos esse SER vai se revelando quem �... Nossa quanta raivinha de mim heim coleguinha? Devo estar realmente incomodando n�o � Que �timo ent�o! =] Mas pensa pelo lado positivo, voc� n�o me ver� t�o cedo! Gordinha ou magrinha! ahahahahha Beijinhos fofinha

Susylândia disse...

Hum... Aos poucos esse SER vai se revelando quem e... Nossa quanta raivinha de mim heim coleguinha? Devo estar realmente incomodando nao e? Que otimo entao! =] Mas pensa pelo lado positivo, voce nao me vera tao cedo! Gordinha ou magrinha! ahahahahha Beijinhos fofinha

Gabi Haubrich - a única disse...

Eita... Desinxavida?! Meu amor, que adjetivo mais popular! Seja lá o que for, acima de tudo é preciso ter classe! Até mesmo para xingar alguém. Se se a Sú é gorda, tem muito homem míope, pq ela sempre fez sucesso entre eles com esse corpão aí que vc chamou de gordo. Bem, de qualquer forma... Tenho mais o que fazer! E recomendo a vc que faça alguma coisa também: terapia e um bom livro são minhas dicas.

Bjs

PS: Gi, passarei sempre que puder.

Anônimo disse...

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